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segunda-feira, 23 de maio de 2011

De acordo com pesquisadores, o material permite a melhoria da qualidade do tratamento do paciente com cancro da mama, alcança 100% de eficácia com a utilização de um novo polímero





Estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) resultou na criação de um polímero capaz de oferecer um diagnóstico mais preciso do câncer de mama. O "Kit Estéril", desenvolvido pelo mastologista Geraldo Sérgio Vitral e pela professora Nádia Rezende Barbosa Raposo, já está sendo comercializado na área da saúde.
Segundo Nádia, a concepção do produto é advinda dos " casos clínicos não tão bem resolvidos por limitações técnicas percebidas na prática" . Conforme os pesquisadores, essa criação traz inúmeros benefícios, como novas parcerias com indústrias nacionais e internacionais e também geração de emprego.





 " O ponto mais importante desse trabalho é, sobretudo, a melhoria da qualidade do tratamento do paciente que alcança 100% de eficácia" , assegura Nádia. Sérgio afirma que essa aprovação valoriza o que é produzido no âmbito da UFJF, demonstrando que produtos criados aqui têm aplicabilidade e inserção no mercado. " Isso gera novos produtos, novas ideias e cria uma projeção internacional para a universidade."
"O desenvolvimento da pesquisa iniciou durante o mestrado de Sérgio, quando foi feita toda a parte pré-clínica (fase de testes em animais para verificar a segurança, a eficácia e a viabilidade técnica) da criação do produto. Depois dessa etapa, já em seu doutorado, iniciou-se a fase clínica, com testes em humanos.
Para proporcionar a criação do kit, os pesquisadores inscreveram o trabalho no Programa de Incentivo à Inovação (PII), do Centro Regional de Inovação e Transferência de Tecnologia (Critt) da Universidade. Com essa ação foi possível iniciar o processo de patenteamento e de transferência de tecnologia para a empresa produzi-lo. Foi realizado o depósito de patentes em diferentes países para assegurar a inovação do produto: Estados Unidos, México, Canadá, países da União Européia, Coréia do Sul, China, Índia e Brasil.
Feito à base de um tipo de silicone, o produto contém 100% de precisão, evitando muitas mutilações decorrentes de cirurgias para retirada de nódulos ou remoção das mamas por conta do avanço do câncer. Nádia ressalta que o produto combate a doença também por meio da prevenção, pois permite identificar pontos a serem retirados antes da evolução do mal.
Uma das inúmeras vantagens da substância utilizada é que ela não se dispersa pela mama, diferentemente do processo atual, cuja cirurgia pode extrair partes maiores dessa região do corpo. " O que ocorre é que existe o problema de dispersão do complexo iodado (produto usado na identificação da área afetada), que dificulta o êxito do procedimento. Com uma eficácia de 90%, o complexo iodado deixava 10% a desejar; essa diferença é muito crítica, pois esse paciente tem que passar por novas intervenções cirúrgicas e rehospitalização" , explica Nádia.
Outro benefício percebido é que o produto custa menos do que a agulha de estereotaxia que existe hoje e reduz também os custos do paciente que não precisa mais passar por internações e novas intervenções cirúrgicas, devido aos 100% de eficácia.
Premiações e benefícios para o ensino
O " Kit Estéril" conquistou diversos prêmios nacionais e internacionais pela sua inovação e utilização. Em 2008, no Idea do Product Global, realizado em Austin, no Texas (USA), alcançou o 2º lugar na categoria global e o 1º em inovação tecnológica. Na ocasião, 18 universidades dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Alemanha, da Suécia, da Irlanda, do Brasil, de Portugal, da Espanha e da Colômbia disputavam o prêmio. Além dessas conquistas, um prêmio latino-americano de inovação e outro nacional, na Jornada Paulista de Radiologia, realizada na Fundação Getúlio Vargas (FGV), foram dedicados aos criadores do kit.
Por conta do patenteamento, a UFJF receberá royalties durante os 20 anos de vigência da patente. Nádia explica que a instituição pode aplicar a verba originada desta venda de acordo com seus próprios interesses, conforme as resoluções sobre inovação tecnológica. " A existência desse material demonstra a importância da educação voltada para a criação de novos produtos. Isso gera qualificações, investimentos sociais e a criação de novas tecnologias."
Anvisa
Em 10 de janeiro deste ano, o " Kit Estéril" recebeu a certificação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), responsável pela liberação e certificação de novos produtos sob vigilância sanitária no país. A professora destaca que esse passo foi primordial na corrida para a criação do produto, que será lançado com o nome BLD-Marker - Kit Marcador Tecidual para Cirurgia Radioguiada, e está sendo produzido pela empresa Saldanha Rodrigues Ltda., com representação em São Paulo e Manaus.
Ela explica que o processo de liberação pela Anvisa segue pontos importantes, como a avaliação da sua eficácia e segurança. " A empresa compradora encaminha o protótipo a uma indústria para produção em larga escala e, em seguida, à Anvisa, comunicando-a sobre a produção desse lote piloto e sobre a utilização para pesquisa clínica." Com a liberação da Anvisa, a empresa compradora trabalha, agora, na confecção do design final para, enfim, colocar em circulação.
Além da comercialização, os estudos para a criação do " Kit Estéril" foram publicados em um capítulo do livro " 1º tratado de Mastologia" , editado pela Sociedade Brasileira de Mastologia, em setembro de 2010, de autoria dos pesquisadores."

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